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Loucurinhas da Adolescência 2

04/03/2011

O texto abaixo trata-se de ficção inspirada na minha adolescência (não me julgue, rsrs); saiu da minha cabeça em algum momento de extremo tédio, ou na espera do dentista, ou numa noite de insônia.
Se quiser colocá-lo no seu blog, fique à vontade, mas me dê os créditos.
www.piece-of-pixiie.blogspot.com

Ele me ignorou a semana inteira na escola, nem ao menos olhou na minha direção. Confesso que estava achando aquilo divertido, mas depois de um tempo começou a cansar. Eu sabia que ele me amava, apesar do pouco tempo juntos. E eu precisava tê-lo de volta.
Não comi direito a semana inteira. Em parte porque não sentia vontade, em parte porque queria parecer um lixo, para que Nicholas se compadecesse e me perdoasse. Sei que é totalmente imbecil, mas não queira entender uma menina de 15 anos sem cérebro.
Na sexta, eu não tinha forças nem consciência. Fui para a aula de Educação Física com meias marrons (marrons! Eca!!!) que catei rapidinho no varal do quintal, sem me tocar que elas eram do meu pai! Meu cabelo estava totalmente opaco_leia-se palha_, então tive que prendê-lo com um lápis, coisa que eu absurdamente abomino.
Na aula, não consegui convencer a professora de que eu não estava bem. E ela ainda fez o favor de falar que as minhas pernas eram boas para jogar futebol. Odeio quando mencionam minhas pernas em qualquer tópico. Cara, o que eu fiz para merecer pernas tão roliças? Nem posso usar meia-calça colorida sem parecer um cavalo fantasiado! Aposto que se eu tivesse talento para cantora de axé, teria no lugar dois palitos de dente.
Jogando futebol, esgotei minhas últimas energias. Nicholas estava jogando no meu time, mas me ignorou até nisso. Eu não corria, andava. De repente, estava com a bola lá atrás, só tinha que passar para ele, que estava mais perto do gol. Fácil. Só que na hora, eu simplesmente paralisei. Uma menina do time oposto veio e tomou a bola de mim. Senti que ia cair, vomitar... ou os dois!
Nicholas veio até mim gritando: "mas que porra, como você pôde perder aquele lan..." e depois: "Você tá bem?", então tudo escureceu.
Acordei na sala da diretora. Ela dizia algo como "mais uma dieta...", o que me fez refletir seriamente se eu precisaria de uma. Fiquei ali semi-morta por mais alguns minutos, até que um professor me levou em casa e eu assegurei-lhe que ficaria bem. Comi feito um búfalo quando pude, mas vamos pular essa parte.
Cerca de uma hora e meia depois, lá estava ele em minha porta. Exatamente como eu imaginei, com aqueles olhinhos brilhantes e preocupação estampada na cara de bebê. Me senti mal, por um instante.
_E aí, você está bem?_ fiz um sinal afirmativo._ Afinal, o que foi aquilo? Você não está fazendo dieta, está?
_Você..._ parei imediatamente de comer o bombom com recheio de avelã._ Você acha que eu preciso?
Nicholas ficou vermelho.
_Não!_ disse ele surpreso._ Por que vocês mulheres tem essas neuras idiotas?
_Mas eu ouvi a diretora dizendo que eu preciso...
_Ela não disse isso... Ela deduziu que você estava sem comer, e que deveria estar fazendo alguma dieta maluca, que você com certeza não precisa!_ ele estava sem fôlego.
_Eu não estou fazendo dieta.
_Então por que parou de comer?
_Porque eu queria desmaiar nos seus braços.
E foi exatamente o que houve, apesar de eu não ter planejado os detalhes. Nicholas sorriu.
_Não, falando sério...
Ele riu mais uma vez, mas o sorriso se desfez quando ele viu que eu permanecia séria.
_Você está brincando, né?
Eu sei que eu perdi o pouco de dignidade que me restava. Mas eu torno a dizer que não queira entender uma menina de 15 anos sem cérebro.
_Você tem noção..._ ele estava perplexo._ Tem alguma noção do que é responsabilidade, garota?
_De que isso importa?
Toquei seu braço, mas ele se afastou bruscamente.
_Nick, me perdoe...
_Você acha fácil! Mas tudo na sua vida é assim, basta bater o pé e fazer greve de fome que você consegue  que quer!
Ele se virou para ir embora, mas interrompi.
_Nicholas, só escuta. Você está certo. Sou mimada, sou presunçosa. Mas eu não te quero de volta apenas por capricho. Quero que você volte porque_ meus olhos começavam a arder, mas fiz um esforço para afastar as lágrimas._, porque você me ama, e eu te amo. E você me disse, Nicholas, eu me lembro do dia que você disse que só ia terminar comigo quando não amasse mais.
Ele permaneceu parado, me olhando.
_Como posso amar alguém tão horrível como você?
E então foi embora e me deixou aos prantos.
Ele estava errado, não bastava eu bater o pé e fazer greve de fome para conseguir o que eu quisesse.

Loucurinhas da Adolescência - Parte 1

Loucurinhas da Adolescência

01/03/2011

O texto abaixo trata-se de ficção inspirada na minha adolescência (não me julgue, rsrs); saiu da minha cabeça em algum momento de extremo tédio, ou na espera do dentista, ou numa noite de insônia.
Se quiser colocá-lo no seu blog, fique à vontade, mas me dê os créditos.
www.piece-of-pixiie.blogspot.com

Sinceramente, como pude nascer tão fraca para bebida? Eu nunca deveria ter ido àquela festa. Lógico que daria merda eu ir ao aniversário de João Henri, cujo meu sonho ano passado era ser esposa. Eu até imaginava o vestido, rendado e antigo, combinado com maquiagem pesada e nada convencional. Bom, mas de qualquer forma, eu não deveria estar tendo esses pensamentos, já que agora sou uma garota comprometida, ou era, sei lá.
Isso porque no meio da festa, cheios de vodca, João e eu começamos com brincadeiras, digamos, sugestivas. É lógico que a culpa foi minha, nunca disse o contrário. Eu permiti sua aproximação. E não era de se esperar outra coisa senão a irritação de Nicholas.
Sim, ele ficou puto comigo. Ficava de longe nos olhando, com ar de "não tô nem aí, ela faz o que quiser", mas que no fundo, estava louco para gritar, dar um soco em João e me arrastar pelo braço. O que, aliás, seria bem legal e emocionante. Mas ele permaneceu no mesmo lugar, numa mão um cigarro, na outra um copo de vinho barato.
Não satisfeita com minha completa estupidez, disse alto:
_João, você sabia que eu sonhava em casar com você?
_Ouvi algo a respeito, mas você ainda é tão criança...
Me irritei:
_Que merda isso quer dizer?
_Nada, você não acha que já bebeu demais, garotinha?
Num ímpeto totalmente descontrolado, o beijei de forma apaixonada e violenta, sem pensar em mais nada. Não me pergunte por quê. Quer dizer, eu não estava fazendo aquilo para irritar Nicholas, eu nem mesmo me lembrei que ele estava ali. Também não vou colocar a culpa na bebida, talvez, um pouco. É que eu estava ali nos braços dele, ele com aquele olhar do tipo "vou cuidar de você", então voltou tudo: meu amor platônico, era como a realização de um sonho. Ao menos era o que parecia, com toda aquela bebida, aquela música, amigos igualmente bêbados gritando "beija, beija"... eu simplesmente não resisti, ME PROCESSE!
Quando terminou, eu estava anestesiada. Ele só sorriu e disse:
_Foi legal. Mas se eu fosse você, não trocaria seu namorado por mim. Não sou o que você procura.
Porra. Nicholas. Esqueci totalmente. Olhei em volta, ele obviamente não estava. Corri para fora e lá estava ele, indo embora. Já estava longe. Corri, mas minhas botas (ankle boots roxas, uma gracinha.) já começavam a machucar. Mas continuei, e quando o alcancei, ele só me olhou com uma expressão vazia.
_Nick, deixa eu explicar...
_Acabou.
_O quê?
_Acabou. Eu - estou - ter - mi - nan - do - com - você_ disse pausadamente como se eu fosse débil mental.
_Eu sei que você está bravo, mas...
Nesse momento, ele se virou e foi embora. Fiquei ali, sozinha no escuro. Algumas pessoas me olhavam e eu gritei impaciente:
_O que foi?! Nunca viram?
Continua...